O Pit Bull já faz parte do nosso dia-a-dia há mais de vinte anos, ora por seu jeito moleque e brincalhão ora por seus tão noticiados ataques e sua fama de mau.
Quando chegou ao Brasil no fim da década de 80 era comprado a preço de ouro, por um público diferenciado e pouco se sabia sobre a raça.

Com o passar dos anos tornou-se muito popular, havendo um aumento significativo na procura por exemplares da raça. O que levou muitas pessoas, movidas somente pelo lado financeiro, a criar Pits sem nenhum critério 

 tornando-os mais agressivos e acessíveis a todas as camadas sociais. Aí o bicho pegou.

O Pit Bull é um animal de temperamento forte e como a maioria dos Terriers, ele precisa de espaço, carinho, educação, ser socializado quando jovem e adestrado por um profissional capacitado com conhecimento em comportamento, distúrbios de comportamento e bem-estar animal. O que não aconteceu na maioria dos casos.

Esse enorme número de Pit Bulls, ligeiramente mais agressivo, se deparou com um público totalmente despreparado, e a mistura desses fatores não deu muito certo.

Um Pit não pode ficar acorrentado, em espaços limitados, sem a prática de exercícios diários, sem o convívio com outros cães e pessoas, tratado agressivamente e ainda incentivado a ser bravo como a maioria está sendo. Sua natureza não perdoa. Alguns cães começaram a ficar agressivos, inclusive com a própria família, o que levou muitos a serem sacrificados, outros abandonados e assim por diante.

 Quando se trata de um cão com essas características (Pit Bull, Rottweiler, Mastino Napoletano, American Staffordshire, Fila Brasileiro, Dobermann e outros)
 o essencial para uma relação harmônica é: ter controle total e exercer uma liderança hierárquica sobre o mesmo.


Digo isso pois como sabemos, o cão nos vê como se fossemos cães também e a família é sua matilha. Se o proprietário não assume o papel de líder logo o cão o assumirá. O líder é quem dita as regras na matilha e portanto o cão adquirirá todos os privilégios dessa posição.

Vale lembrar que o Pit não tem nada de especial com relação às outras raças; não tem doenças mentais, distúrbios comportamentais e instinto de agressividade extrema com seres humanos, como a maioria pensa.
É um cão normal e se tratado da maneira correta, tomando os devidos cuidados se tornará um cão muito ativo, carinhoso e brincalhão que ainda trará segurança à sua família.


Como profissional, trabalho com o Pit Bull há quase 20 anos.

Nunca tive problemas com meus alunos e, por coincidência, nenhum cliente também teve, reforçando a minha tese de que a responsabilidade na maioria dos ataques envolvendo o Pit, está no ambiente por falta da posse responsável.

 

O modelo ideal para resolver esse problema seria o europeu onde para adquirir um cão a família passa por um curso e é avaliada. Se não tiver os pré-requisitos necessários é impedida da compra.

Como sabemos que aqui no Brasil isso é utopia, sou defensor de uma lei bem elaborada, por pessoas especializadas no assunto, onde o os cães seriam identificados por microchip, e no caso de abandono ou ataque o responsável responderia civil e criminalmente com multas pesadas.

Não como está acontecendo, onde depois de uma tragédia surgem vários projetos de lei sem nenhum fundamento, feito por alguns políticos sem conhecimento algum sobre o assunto. Eu e outros profissionais da área estamos à disposição para assessorá-los nesse sentido.


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